Sífilis: sintomas, tratamentos e causas

REVISADO POR
Dr. Celso Granato
Infectologia - CRM 34307/SP
especialista minha vida

Visão Geral

O que é Sífilis?

Sinônimos: cancro duro

Sífilis é uma doença sexualmente transmissível (DST) causada pela bactéria Treponema pallidum.

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Normalmente ela apresenta fases distintas com sintomas específicos (sífilis primária, secundária e terciária) que é intercalada por períodos latentes. Por isso, ela é conhecida por ser um mal silencioso e requer cuidados.

Neste conteúdo vamos explicar os tipos e estágios da sífilis, como ela se manifesta, se o quadro tem cura e como preveni-la.

Aumento de casos de sífilis no Brasil

Em 2017 foi percebido um aumento dos casos relacionados à sífilis no Brasil. Entre 2015 e 2016, a sífilis adquirida teve um aumento de 27,9%; a sífilis em gestantes, de 14,7%; e a congênita (transmitida da mãe para o bebê pela placenta ou no momento do parto) de 4,7%. (3)

Se olharmos esses dados desde 2010, o crescimento é ainda mais expressivo: no ano de 2010 haviam sido registrados 1249 casos de Sífilis. Em 2015, esse número saltou para 65.878, um aumento de mais de 5.000%, e chegou em 87.593 casos em 2016 .

De acordo com o Ministério da Saúde, um dos motivos para o aumento dos casos de sífilis é a escassez de penincilina (medicamento utilizado para tratar a doença) em âmbito global. Esse cenário existe desde 2014 e acarretou uma epidemia da doença no Brasil em 2016. Além disso, houve um aumento na quantidade de testes realizados, o que possibilitou, também, elevar a quantidade de diagnósticos realizados. O Ministério da Saúde reforça que o aumento não necessariamente está relacionado a um aumento de contaminação. (2, 3)

Tipos

A sífilis é classificada de acordo com o seu estágio de infecção. Entenda melhor a seguir:

Sífilis primária

A sífilis primária é a que ocorre assim que há a infecção pela bactéria Treponema pallidum. Cerca de três a quatro dias após o contágio, formam-se feridas indolores (cancros) no local da infecção, normalmente na região genital. Não é possível observar mais sintomas e ela pode passar despercebida, principalmente se as feridas estiverem situadas no reto ou no colo do útero. As feridas desaparecem em cerca de até 10 dias, mesmo sem tratamento. A bactéria torna-se dormente (inativa) no organismo nesse estágio.

Sífilis secundária

A sífilis secundária acontece cerca de duas a oito semanas após as primeiras feridas se formarem. Aproximadamente 33% daqueles que não trataram a sífilis primária desenvolvem o segundo estágio. Aqui, o paciente pode apresentar vermelhidão pelo corpo (exantema), coceira, aparecimento de íngua (gânglios inchados) nas axilas e pescoço.

Parecem também sintomas como dores musculares, febre, dor de garganta e dificuldade para deglutir. Esses sintomas geralmente somem sem tratamento após umas duas semanas e, mais uma vez, a bactéria fica inativa no organismo. Nesta fase o vírus ainda é transmissível ao se ter contato com a região da infecção.

Sífilis terciária

Esta é a sífilis mais difícil de ser detectada, pois têm sintomas em grandes vasos (como a aorta), cérebro, olhos, coração, juntas e até mesmo dentro do sistema nervoso. Ai ela pode causar dor de cabeça, epilepsia, e é um diagnóstico um pouco mais complicado

Sífilis latente

Esse é o período correspondente ao estágio inativo da sífilis, em que não há sintomas. Esse estágio pode perdurar por muito tempo sem que a pessoa sinta nada. A doença pode nunca mais se manifestar no organismo, mas pode ser que ela se desenvolva para o próximo estágio, o terciário – e mais grave de todos.

Sífilis congênita

A sífilis pode, ainda, ser congênita. Nela, a mãe infectada transmite a doença para o bebê, seja durante a gravidez, por meio da placenta, seja na hora do parto. A maioria dos bebês que nasce infectado não apresenta nenhum sintoma da doença. No entanto, alguns podem apresentar rachaduras nas palmas das mãos e nas solas dos pés. Mais tarde, a criança pode desenvolver sintomas mais graves, como surdez e deformidades nos dentes. (1)

Causas

A sífilis é causada por uma bactéria chamada Treponema pallidum, que é geralmente transmitida via contato sexual e que entra no corpo por meio de pequenos cortes presentes na pele ou por membranas mucosas.

Sífilis: saiba como acontece a doença sexualmente transmissível - SAIBA MAIS
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Só é contagiosa nos estágios primário e secundário e, às vezes, durante o início do período latente. Raramente, a doença pode ser transmitida pelo beijo.

Mas também pode ser congênita, sendo passada de mãe para filho durante a gravidez ou parto.

Uma vez curada, a sífilis não pode reaparecer – a não ser que a pessoa seja reinfectada por alguém que esteja contaminado. (2, 3)

Fatores de risco

Alguns fatores são considerados de risco para contrair sífilis. Confira:

  • Manter relações sexuais desprotegidas com uma ou mais pessoas
  • Estar infectado com o vírus do HIV, causador da Aids.
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Sintomas

Sintomas de Sífilis

A sífilis desenvolve-se em diferentes estágios, e os sintomas variam conforme a doença evolui. No entanto, as fases podem se sobrepor umas às outras. Os sintomas, portanto, podem seguir ou não uma ordem determinada. Veja os sintomas de cada estágio:

Sintomas da sífilis primária

O principal sintoma desta fase é a formação de feridas indolores (cancros) no local da infecção. Nem sempre é possível observar as feridas ou qualquer sintoma, principalmente se as feridas estiverem situadas no reto ou no colo do útero. As feridas desaparecem em cerca de quatro a seis semanas depois, mesmo sem tratamento.

Sintomas da sífilis secundária

Os principais sintomas da sífilis secundária são:

  • Vermelhidão da pele (exantema), que pode se estender até para as mãos
  • Aparecimento de gânglios inchados nas axilas e pescoço
  • Dores musculares
  • Febre
  • Dor de garganta
  • Dificuldade para engolir
  • Aumento do fígado e baço.

Sintomas da sífilis terciária

Esse estágio da sífilis aparece quando a doença não foi tratada antes e ataca outras regiões do corpo como grandes vasos (como a aorta), cérebro, olhos, coração, juntas e até mesmo dentro do sistema nervoso. Os sintomas variam muito, mas podem incluir:

Sintomas da sífilis latente

Esse é o período correspondente ao estágio inativo da sífilis, em que não há sintomas.

Sintomas da sífilis congênita

A maioria dos bebês que nasce infectado pela sífilis não apresenta nenhum sintoma da doença. No entanto, alguns podem apresentar erupções na pele nas palmas das mãos e nas solas dos pés. Mais tarde, a criança pode desenvolver sintomas mais graves, como surdez e deformidades nos dentes. (1, 2, 3)

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Diagnóstico e Exames

Buscando ajuda médica

Procure um especialista se tiver mantido relações sexuais com algum portador de sífilis. Atenção também para os sintomas: alguns são idênticos ou muito similares aos sintomas de outras doenças. Consulte um médico para que ele possa fazer os exames necessários e acertar no diagnóstico.

Anote todas as suas dúvidas e leve-as ao especialista. Descreva todos os seus sintomas e procure ser o mais claro possível. Isso vai ajudá-lo a realizar o diagnóstico. Você pode fazer alguns questionamentos ao médico, como:

  • Há alguma outra DST que possa despertar os mesmos sintomas em mim?
  • Que exames devo fazer para ter certeza de que trata-se de sífilis?
  • Como vou saber se estou curado ou se a doença está em seu estado latente?
  • Quais cuidados devo tomar com meu parceiro/parceira?

Na consulta médica

Especialistas que podem diagnosticar um caso de sífilis são:

  • Infectologista
  • Clínico geral
  • Ginecologista
  • Urologista.

Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

  • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
  • Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade
  • Se possível, peça para uma pessoa te acompanhar.

O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

  • Quando você começou a apresentar estes sintomas?
  • Seus sintomas têm sido contínuos ou ocasionais?
  • Quão severos são seus sintomas?
  • Você foi exposto a alguma situação de sexo desprotegido?

Também é importante levar suas dúvidas para a consulta por escrito, começando pela mais importante. Isso garante que você conseguirá respostas para todas as perguntas relevantes antes da consulta acabar. Para gordura no fígado, algumas perguntas básicas incluem:

  • A sífilis é a causa dos meus sintomas?
  • Que tipos de exames devo fazer?
  • Devo ser testado para outras doenças sexualmente transmissíveis?
  • Meu parceiro também deve fazer o teste para sífilis?
  • Por quanto tempo devo esperar antes de retomar as atividades sexuais?
  • Como posso prevenir este quadro no futuro?

Não hesite em fazer outras perguntas, caso elas ocorram no momento da consulta. (6)

Diagnóstico de Sífilis

Os sintomas da sífilis costumam ser muito similares a sintomas de outras doenças, então o médico deve realizar exames específicos para conseguir fazer o diagnóstico. Veja alguns exames que o especialista poderá solicitar:

Se você foi diagnosticado com sífilis, é importante notificar ao seu parceiro ou parceira para que ele ou ela possa também realizar os exames necessários para o diagnóstico. Se der positivo, quanto antes dar início ao tratamento melhor.

Exames

Os exames mais usados para o diagnóstico da sífilis são:

  • Exame VDRL: bastante comum, pode identificar anticorpos no sangue que estão combatendo alguma infecção. Eles permanecem no sangue por anos, enquanto a bactéria estiver instalada no organismo, por isso o exame pode ser feito também para diagnosticar infecções antigas, cuja transmissão aconteceu há muito tempo. No entanto, a vantagem do VDRL é que ele mostra a doença mesmo quando está ativa, por ser um teste quantitativo
  • FTA-ABS: esse exame é considerado treponêmico, ou seja, ele é preparado com proteínas específicas para o Treponema pallidum. Ele é um teste qualitativo (resultado sim ou não) e serve apenas para o diagnóstico e não para o acompanhamento da doença (1)
  • Teste rápido para Sífilis: os testes rápidos são feitos em menos de 30 minutos e sua visualizam é como em um teste de gravidez: aparecendo uma ou duas faixas pintadas. Eles podem ser feitos em centros públicos de referência em DST e AIDS
  • Cultura de bactérias: o médico pode optar também por recolher amostras de uma secreção expelida por alguma ferida presente no corpo, que será analisada em microscópio. Este tipo de teste só pode ser realizado durante os dois primeiros estágios da sífilis, cujos sintomas envolvem o surgimento de feridas. A análise dessas substâncias pode indicar a presença da bactéria no organismo do paciente
  • Punção lombar: se há a suspeita de que o paciente está com complicações neurológicas causadas pela sífilis, o médico poderá coletar uma pequena amostra do líquido céfalo-raquidiano. As amostras são enviadas para laboratório e analisadas.

Exames para outras DSTs

Se você tem sífilis, peça para fazer exames relacionados a outras infecções sexualmente transmissíveis, incluindo clamídia, gonorreia, hepatite B e HIV. Se você é mulher e tem 21 anos ou mais, certifique-se de ter feito um Papanicolau recentemente. (2)

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Tratamento e Cuidados

Tratamento de Sífilis

Quando diagnosticada precocemente, a sífilis não costuma causar maiores danos à saúde e o paciente costuma ser curado rapidamente.

O tratamento mais indicado pelos médicos é feito à base de penicilina, um antibiótico comprovadamente eficaz contra a bactéria causadora da doença. Uma única injeção de penicilina já é o bastante para impedir a progressão da doença, principalmente se ela for aplicada no primeiro ano após a infecção. Se não, o paciente poderá precisar de mais de uma injeção

A penicilina, aliás, é o único tratamento recomendado por especialistas para mulheres grávidas diagnosticadas com sífilis. Mesmo que o tratamento nesses casos seja bem-sucedido, o bebê também deverá ser tratado com antibióticos depois de nascer.

Durante o primeiro dia de tratamento, o paciente poderá sentir aquilo que os médicos chamam de reação de Jarisch-Herxheimer, que inclui uma série de sintomas, como febre, calafrios, náuseas, dores nas articulações e dor de cabeça. A boa notícia é que esses sintomas não costumam demorar mais do que um dia.

Durante o tratamento, o paciente deverá fazer visitas regulares ao médico para garantir que está tudo bem.

É necessária a realização de exames de sangue de acompanhamento após três, seis, 12 e 24 meses para garantir que não há mais infecção. O médico poderá solicitar, também, que o paciente faça um exame específico para HIV, para garantir que o paciente não desenvolverá complicações mais graves por causa do vírus da Aids. A atividade sexual deve ser evitada até que o segundo exame mostre que a infecção foi curada. A sífilis é extremamente contagiosa por meio do contato sexual nos estágios primário e secundário.

Medicamentos para Sífilis

Os medicamentos mais usados para o tratamento de sífilis são:

Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique. Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

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Convivendo (prognóstico)

Sífilis tem cura?

Quando diagnosticada precocemente (no estágio primário ou secundário) a sífilis pode ser tratada tranquilamente com penicilina e tem índices de cura muito altos.

O diagnóstico na fase terciária tem tratamento mais difícil, pois é preciso localizar onde a bactéria está alojada. Mas mesmo assim as perspectivas de cura são altas.

Em casos de sífilis congênita, o ideal é que a criança seja tratada desde bem cedo, para evitar complicações mais graves. (3)

Complicações possíveis

Sem tratamento, a sífilis pode evoluir, se espalhar pelo corpo e causar complicações mais graves para os pacientes infectados. Além disso, pode aumentar o risco de infecção por HIV e, em mulheres, pode causar complicações na gravidez.

É importante ressaltar que o tratamento pode impedir problemas futuros, mas não pode reverter danos causados anteriormente. Por isso, o tratamento precoce é essencial.

Veja as complicações que podem ser causadas por sífilis não tratada:

  • Surgimento de inchaços na pele, ossos, fígado e outros órgãos no último estágio da doença. Com tratamento, esses inchaços costumam desaparecer, mas se não tratados eles podem evoluir para tumores.
  • Problemas neurológicos também podem aparecer, como AVC, meningite, surdez, problemas de visão e demência.
  • Aneurisma e inflamação da aorta e de outras artérias e vasos sanguíneos, danos às válvulas do coração e outros problemas cardiovasculares também são algumas das complicações possíveis.
  • As chances de contrair o vírus do HIV aumentam significativamente em pessoas com sífilis, pois as feridas presentes na pele – características dos dois primeiros estágios da doença – costumam sangrar facilmente, facilitando a entrada do vírus da Aids no organismo durante uma relação sexual.
  • Na gravidez, a mulher infectada pode passar a doença para o feto. Sífilis congênita pode elevar os riscos de aborto e os de morte do bebê durante a gestação ou após os primeiros dias de vida.

Convivendo/ Prognóstico

Durante o tratamento da sífilis é importante tomar cuidados como:

  • Evitar relações sexuais até que a infecção esteja curada
  • Beber muita água e cuidar do sistema imunológico
  • Avisar seus parceiros sexuais sobre o diagnóstico, para que eles também possam fazer os exames. (6)
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Prevenção

Prevenção

O uso da camisinha e ter relações sexuais seguras são a melhor forma de prevenir a sífilis. A camisinha é medida preventiva não só para sífilis, mas também para todas as outras doenças sexualmente transmissíveis (DST’s).

Ter relações sexuais com pessoas distintas aumenta o risco de contrair a doença, mas o mais importante é sempre fazer uso do preservativo. Você pode contrair a doença tendo contato sexual com uma só pessoa, como também pode contraí-la após entrar em contato sexual com várias. Tudo vai depender mesmo do uso ou não de preservativo. (6)

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Fontes e referências

  • (1) Infectologista Celso Granato (CRM-SP 34.307), especializado em Microbiologia e Imunologia Médica na Universidade de Hamburgo, na Alemanha e em Medicina Internacional Retrovírus e Banco de Sangue na Universidade Cornell, nos EUA; assessor médico em Infectologia do Fleury Medicina e Saúde e professor livre-docente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
  • (2) Ministério da Saúde
  • (3) Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde
  • (4) Sociedade Brasileira de Infectologia
  • (5) Sociedade Brasileira de Análises Clínicas
  • (6) Mayo Clinic, clínica de referência nos Estados Unidos