PUBLICIDADE

Parkour: o que é, como fazer e cuidados necessários

Mais do que só pular muros, o parkour foca na autossuperação e traz diversos benefícios à saúde física e mental

O que é parkour (le parkour)

O parkour é uma modalidade esportiva focada em ultrapassar obstáculos, de forma segura e rápida, a partir do uso do próprio corpo e suas capacidades.

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

Mas se engana quem pensa que o parkour só pode ser feito por dublês, artistas circenses, militares ou bombeiros. A prática tem conquistado crianças, adultos, idosos e também pessoas com deficiência que buscam por autossuperação, diversão e mais força.

O desafio é o principal combustível ao esporte, segundo atletas de parkour que buscam novas formas de dominarem e melhorarem suas habilidades - especialmente de força, coordenação e equilíbrio. Devido à variedade de benefícios, alguns colégios até têm adicionado o parkour na grade curricular.

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

Benefícios do Parkour

Parkour é um esporte que pode ser praticado por pessoas de qualquer idade - Foto: Camila Stefaniu/Acervo pessoal
Parkour é um esporte que pode ser praticado por pessoas de qualquer idade - Foto: Camila Stefaniu/Acervo pessoal

Benefícios físicos e psicológicos do parkour

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

Em 2017, aos 14 anos, Camila Stefaniu Ribeiro se consagrou como a primeira atleta profissional de parkour da América do Sul. A atleta, hoje reconhecida mundialmente, afirma que as vantagens advindas com o esporte são inúmeras. Fisicamente, ela cita a aquisição de força, resistência, flexibilidade e equilíbrio. Porém, não vê essas aptidões de modo isolado: com esses elementos sendo trabalhados, Camila se sente mais "disposta e pronta para encarar qualquer outro tipo de obstáculo físico ou mental ao viver e tentar a carreira como atleta brasileira".

A professora Poliana Souza, proprietária e diretora da Drop and Leap Escola de Parkour, em Brasília (DF), complementa: se ela pudesse resumir, diria que o parkour atua em quatro aspectos principais. São eles: físicos, psicológicos, sociais e ambientais.

Os aspectos físicos são apontados, pois o elemento básico para a prática do parkour é a força - e dela surgem demais adaptações hormonais, estruturais e mecânicas. Já os psicológicos advêm do constante aprendizado pela superação, que mostra como lidar com o medo, a frustração, a vergonha, a paciência, a coragem, o orgulho e a comemoração.

Os benefícios do parkour vão desde trabalhar todos os músculos ao bem-estar mental - Foto: Camila Stefaniu/Acervo pessoal
Os benefícios do parkour vão desde trabalhar todos os músculos ao bem-estar mental - Foto: Camila Stefaniu/Acervo pessoal

Benefícios sociais e ambientais do parkour

Os pontos sociais dizem respeito, segundo Poliana, ao ajudar e ser ajudado por um grupo, assim como vibrar pelas conquistas alheias. E os ambientais se referem ao se tornar parte da cidade onde o parkour é realizado, tendo zelo pelo local, ocupando-o de forma natural e atribuindo diversão e treinamento a seus componentes (como escadas, corrimões e bancos).

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

Fundador e ex-presidente da Associação Brasileira de Parkour (ABPK), Jean Wainer comenta que a autossuperação do parkour acaba sendo levada para outros aspectos da vida. "Você começa com a ideia de superar seu medo de altura, desequilibrar e ser julgado. Esse aspecto, de superar medos, começa a se expandir a outras esferas da vida dos praticantes do parkour. Quem pratica acaba se desafiando mais pessoalmente e profissionalmente".

Criador do primeiro curso da modalidade no Brasil, fundador da Parkour Brazil e praticante desde 2004, Leonard Akira diz que o parkour mudou completamente sua vida, fazendo com que alcançasse uma melhor qualidade de vida.

Ortopedista pelo Instituto Medicina do Movimento e mestre em Ciências da Saúde Aplicadas ao Aparelho Locomotor, Thiago Coelho afirma que o parkour é um trabalho global e inteligente, pois trabalha toda musculatura, articulações e integrações neurológicas. O médico, especializado em pediatria, aponta também que o esporte é bastante benéfico a crianças, pois auxilia no desenvolvimento motor.

Movimentos do parkour

Como toda modalidade esportiva, há movimentos do parkour próprios e que exigem diferentes habilidades de acordo com o grau do praticante (exercícios de iniciantes a avançados).

Amortecimento

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

Imagem: Reprodução/Camila Stefaniu

A jovem Camila, campeã na modalidade, afirma que, em seu ponto de vista, o amortecimento é o movimento mais importante do parkour. O professor Jean Wainer concorda, explicando que o amortecimento é um movimento básico, geralmente sendo o primeiro a ser treinado por iniciantes. "É o 'como saber cair'. Todo movimento do parkour exige uma aterrissagem quando você vai de um ponto a outro. Por isso, a aterrissagem é tão importante".

Com o auxílio de um professor, o treino evitará impacto excessivo nas articulações e músculos ao aterrissar, assim como visará a distribuição do peso durante este movimento e poupará a coluna. Jean ressalta que é preciso treinar bastante a aterrissagem até que ela se torne "automática" ao realizar os demais movimentos do parkour.

Salto de precisão

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

Imagem: Reprodução/Parkour Brazil

Salto de um ponto ao outro, que você inicia parado e deve chegar parado, de modo equilibrado. Jean diz: "imagine, por exemplo, dois corrimões. Então você sobe em um, se equilibra e salta ao outro, para e se equilibra". O movimento treina principalmente a resistência muscular, o equilíbrio, concentração e impulsão.

Rolamento

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

Imagem: Reprodução/Camila Stefaniu

Considerado um movimento básico e com diversas variações, é utilizado para reduzir impactos após aterrissar de locais altos. Ao aterrissar, rola-se no solo. Um exemplo é apoiar o antebraço no chão, aparando a queda e evitando lesões no ombro; então, impulsione-se seu corpo com a perna esquerda, rolando sobre o braço esquerdo e tomando cuidado para não bater a cabeça no chão. Use o impulso para se levantar e já introduzir outro movimento do parkour.

Tic Tac

Imagem: Reprodução/Camila Stefaniu

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

Corrida, com impulso na parede. É um movimento que exige um misto de técnicas, pois ao final pode ser mesclado com o agarrar no alto do muro. Para realizá-lo, é preciso treinar a impulsão do pé na parede.

Vault

Imagem: Reprodução/Parkour Brazil

Termo advindo da ginástica, são os movimentos de passagem por cima de obstáculos com uso das mãos para apoio. Por exemplo: passar por uma mureta apenas apoiando a mão sobre, sem apoio de pés.

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

Lache

Imagem: Reprodução/Ronnie Street Stunts

Movimento de se pendurar em uma barra (ou em um galho de árvore), se balançar para ter impulso a ponto de conseguir se agarrar em outra barra ou em outro galho.

Cat Leap

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

Imagem: Reprodução/Parkour Brazil

Também conhecido como "salto de gato" e "salto com braço", é um movimento para aterrissar em uma parede ou muro com o uso das mãos. Dê um impulso para frente, movendo suas mãos e pés para apoio na parede ou muro. Então, absorva o impacto com as pernas na parede e segure a parte superior da parede ou muro com as mãos. Depois, basta erguer seu corpo para ultrapassar o obstáculo.

Como usar os movimentos do parkour

É possível misturar os movimentos. Por exemplo, se você se balança em um galho para conseguir se apoiar em cima de uma pedra, estará mesclando o lache com salto de precisão.

Contudo, apesar de existirem movimentos nomeados, Jean explica que a ideia do parkour é fugir um pouco do foco no gesto motor em si (onde põe a mão, onde põe o pé, como faz o movimento) e sim em superar aquele obstáculo. Isso porque um muro mais alto vai exigir de do praticante outras técnicas e habilidades do que um muro baixo; assim como uma pista lisa e uma pista escorregadia.

Você não chega num lugar e fala 'que movimento devo aplicar aqui?'. Não! Não se pensa exatamente em 'aqui vou aplicar um lache com salto de precisão'. Você observa o local e pensa 'Qual desafio eu posso superar aqui? Aonde eu quero chegar? Como posso fazer isso?'

Principais músculos trabalhados no parkour

Devido a combinações de movimentos diversos, o parkour é capaz de trabalhar o corpo de uma forma completa, segundo o ortopedista Thiago Coelho - com destaque para membros superiores, inferiores e o core.

Em movimentos de salto, há a predominância do uso de músculos de membros inferiores. Já quando você sobe um muro, a predominância é de membros superiores, porque são mais usados os braços e costas.

"É preciso ter orientação profissional e ser criativo para conseguir combinar diferentes movimentos e, assim, trabalhar o corpo de maneira total", aconselha por sua vez o treinador Jean.

Quem pode praticar

Profissionais dizem não haver contraindicações para iniciar o parkour, uma vez que o esporte é uma apropriação de obstáculos e é determinada conforme as limitações e ritmo de cada indivíduo. Focado em ortopedia pediátrica, Thiago Coelho aconselha a atividade até mesmo a crianças para desenvolvimento motor.

O professor de parkour Jean comenta que "a partir do momento em que é entendido que cada pessoa tem seu próprio ritmo, qualquer um pode aderir ao parkour. Claro que não é aconselhado fazer com que um iniciante, uma criança ou uma pessoa mais idosa realize o mesmo que jovens do parkour fazem em vídeos no YouTube, pois são anos e anos de treino".

A maioria das escolas oferecem cursos para todas as idades, desde crianças a idosos. "Nós já demos aula mesmo a pessoas com deficiência física, com obesidade, com paralisia cerebral, cegos, idosos, crianças... Então qualquer um pode fazer!", diz o professor Jean Wainer. É importante que os treinos de parkour sejam adaptados a indivíduos com quaisquer restrições médicas ou limitações.

Vídeos de parkour

Parkour para crianças:

Parkour para idosos:

Tutorial para executar o movimento Cat Leap:

Tutorial para executar o movimento salto de precisão:

Movimentos de parkour combinados:

Como fazer parkour

De acordo com o ortopedista Thiago Coelho, é importante que seja feita uma avaliação de aptidão física com médicos antes de começar qualquer curso. Iniciar as atividades somente com orientação especializada, a fim de evitar lesões e adequar o treino conforme a individualidade de cada um.

O treinador Leonard Akira complementa, afirmando que somente assim será possível até mesmo recomendar práticas complementares, como musculação, a fim de trabalhar a força de pessoas com sobrepeso ou obesidade, por exemplo, para um melhor amortecimento em movimentos do parkour.

Para vestimenta, o ideal é usar roupas leves e um tênis confortável - geralmente calçados de corrida, que são próprios para maiores impactos.

Não é recomendado que ninguém inicie o parkour sem acompanhamento profissional. Profissionais especializados na modalidade são responsáveis por instruir todos os alunos para uma progressão adequada e personalizada dos treinos, diminuindo a chance de lesões.

A instrutora de parkour Poliana Souza indica que iniciantes sigam fundamentos básicos do esporte: ter e manter a segurança ao se equilibrar, agarrar e se pendurar. Para isso, procure:

Campeã na modalidade, Camila dá dica aos novatos:

Criem, identifiquem-se com uma movimentação própria e vivenciem/curtam o processo de aprendizado e busca. Isso é muito importante: se divirtam!

Aulas de parkour: como funcionam

Divisão das aulas

Geralmente as aulas são divididas por faixa etária e/ou por habilidades, conduzidas por educadores físicos que já têm anos de experiência na prática do parkour.

Aulas indoor (escolas)

Nas academias, escolas e studios de parkour são montados ambientes com obstáculos móveis, como caixotes, rampas, colchonetes, pneus; e obstáculos fixos, como paredes, barras e até paredes de escalada.

Os obstáculos são utilizados conforme a proposta da aula. Como exemplo, se for uma aula mais focada em subida de muro, utilizam-se os obstáculos móveis maiores e fixos. Se for uma aula de "passar por cima" de obstáculos, são usados móveis menores.

Aulas outdoor (ao ar livre)

Em aulas outdoor são procurados locais que tenham adequações à prática, ou seja, obstáculos em geral e uma arquitetura segura e que não seja muito plana. É preciso checar se os obstáculos não estão fracos, enferrujados ou apresentam algum perigo - como um banco solto, um corrimão mal-parafusado ou uma rampa de madeira com pregos à mostra.

Normalmente as aulas outdoor são, então, realizadas em praças públicas, parques e, por vezes, em prédios abandonados.

Há regras no parkour?

O parkour, em sua essência, não tem regras a serem seguidas para que os movimentos sejam executados. Apenas dicas são seguidas pela maioria dos profissionais, como preservação da integridade física e do ambiente. Portanto, quando um treinador indica para que os alunos façam o movimento da ponta do pé em vez de apoiar o pé por completo no solo, por exemplo, é uma recomendação para reduzir o potencial lesivo de determinado movimento do parkour.

Nas aulas é possível criar algumas "regras condicionais" para maior dinamismo e clima de jogos, como não pôr o pé no chão. Mas é uma das maneiras de aprendizado do parkour, não é algo imposto do parkour em si.

Com o reconhecimento do parkour como um esporte, estão sendo criadas regras apenas para competições - e que ainda são variadas de disputa para disputa. Geralmente as regras em competições de parkour são passar por todo o percurso de obstáculos o mais rápido possível, ou completar alguns desafios pré-determinados (como subir e pular de uma plataforma para outra sem pôr o pé no chão).

Apesar de não serem estabelecidas regras no geral, muitos atletas se apropriam da frase "ser forte para ser útil" como um mantra. Esses dizeres foram de Georges Hébert, educador físico criador da pista de obstáculos militar, que acreditava que a prática física não apenas resultava em corpos fortes, mas também em indivíduos cada vez mais resilientes e capazes de enfrentar desafios por um bem maior.

Lesões mais comuns no parkour

Torções e ralados são as lesões mais frequentes ao se praticar parkour. Aulas indoor oferecem menos perigo de se machucar, já que os ambientes são cuidados para total preservação da integridade física e não é possível se arriscar em saltos de locais muito altos.

Praticantes profissionais de parkour têm sido unânimes em afirmar que a maioria das lesões ocorre por pessoas que veem vídeos na internet e querem copiar os movimentos sem instruções de um professor qualificado. Isso pode resultar em problemas sérios, como fraturas.

João Hollanda, ortopedista com especialização em cirurgia do joelho e médico da Seleção Brasileira de Futebol Feminino, diz que esportes que envolvem saltos repetitivos, entre eles o parkour, podem levar tanto a lesões traumáticas como a lesões por esforços repetitivos. A maioria das lesões acontecem no momento da aterrissagem do salto, ao apoiar o pé no chão.

Segundo o médico, a lesão traumática mais comum é a entorse de tornozelo (torção). Para minimizá-lo, é indicado ter uma boa técnica de salto e treinos também focados em equilíbrio e fortalecimento muscular. Apesar de saltos envolverem diversas partes do corpo (desde braços ao tronco, quadris, joelhos e tornozelos), a sobrecarga ocorre principalmente na musculatura entre o joelho e o tornozelo, que são responsáveis pelo amortecimento.

"Já a tendinite patelar é a principal lesão decorrente dos saltos repetitivos, sendo justamente por isso conhecida como 'jumper's knee' ou 'joelho do saltador'", comenta João, que completa: "não conheço estudos que avaliaram especificamente os praticantes de parkour, mas pesquisas demonstram que a incidência da tendinite patelar chega a 40% em jogadores profissionais de vôlei e 30% dos jogadores de basquete devido aos saltos".

Este tipo de tendinite é mais comum a praticantes que aterrissam de "forma mais seca", sem amortecer o impacto do salto, sobrecarregando o tendão patelar. Esta maneira de aterrissagem ocorre especialmente em pessoas com baixa mobilidade do tornozelo, bem como quem tem fraqueza muscular. Nestes casos, recomenda-se treino de fortalecimento específico para joelhos e tornozelos.

No caso de crianças, o ortopedista pediátrico Thiago Coelho diz que há maior risco de lesões na fase de crescimento se forem feitos saltos de grande altura. Assim, recomenda-se que todo treino tenha uma supervisão adequada; não sejam feitos movimentos sem orientação e de lugares altos; sejam realizados aquecimentos antes e alongamento após os treinamentos.

O médico aconselha ainda que não sejam feitas as mesmas atividades em dias consecutivos. Isso ajudará os músculos a se recuperarem e fortalecerem. Para ele, o parkour pode ser combinado em dias alternados com atividades de menor impacto e grandes benefícios, como a natação. Por exemplo: parkour às segundas, quartas e sextas; e natação às terças e quintas-feiras.

Como surgiu o parkour

O parkour é uma atividade surgida na França, em meados dos anos 1980 por David Belle. Adepto a movimentos de ginástica desde criança, ele se inspirou em seu pai, Raymond Belle, para criação da modalidade. Seu pai era oficial da elite de bombeiros e executava missões de salvamento.

Assim surgiu o Le Parkour ("le" significa "o"; e "parkour" é "percurso"), nome dado por David aos movimentos que fazia usando apenas seu corpo para superar obstáculos nas ruas de Paris. Homens praticantes da modalidade foram, posteriormente, nomeados de traceur e as mulheres de traceuses.

Outra grande inspiração aos praticantes do parkour é George Hérbert. Marinheiro francês, ficou abalado com a morte de mais de 30 mil pessoas devido à erupção de um vulcão em 8 de maio de 1903. George, então, começa a pensar em como muitas vidas poderiam ter sido salvas se houvesse maior preparo físico e altruísmo nos indivíduos.

Com este pensamento junto a suas observações de sobrevivência de tribos africanas (que considerava serem mais fortes e resistentes apenas pelo convívio de seus corpos com a natureza), George criou o Método Natural. O método é baseado na apropriação de capacidades do corpo humano, como: marchar, correr, saltar, engatinhar, escalar, se equilibrar, arremessar, carregar, lutar e nadar.

Seus treinos não somente eram focados nessas capacidades físicas, mas também trabalhavam a coragem. Exercia movimentos em pedras, troncos e árvores. Ainda, ficou conhecida por sua frase "ser forte para ser útil" em seus treinamentos, em que praticantes carregavam pessoas e ajudavam os outros a superar desafios.

No Brasil, o parkour começou a ser praticado em meados de 2004 graças à repercussão de vídeos na internet. No ano seguinte (2005), é criada a Associação Brasileira de Parkour, com o objetivo de promover a prática pela autossuperação.

Preconceito com o esporte

"Com o parkour você você vai pular um muro e o pessoal vai passar na rua, vai te olhar, vai te julgar, achar que você está roubando ou violando algo... Então tem de ter uma quebra da timidez, além de você trabalhar o controle de seus medos e emoções", diz Jean, que também é fundador da escola Tracer Parkour.

O parkour requer uma maior interação com a cidade, enxergando-a de forma mais interativa e percebendo detalhes que possam servir de obstáculos para a autossuperação. "Mesmo quem pratica o parkour dentro de uma escola sai na rua, vê um muro e pensa 'eu consigo pular'. É como se a cidade começasse a pertencer mais a você", afirma.

Já o educador físico Akira, praticante do parkour desde 2004, combate esse preconceito ensinando seus alunos a sempre cuidarem bem da cidade e dos locais em que exercem seus treinos; e estando sempre uniformizados, para que pessoas de fora identifiquem que os movimentos se tratam de treinos físicos.

O primeiro país a reconhecer o parkour como esporte foi o Reino Unido, em 2017. Porém, ainda predominam polêmicas sobre o parkour ser considerado esporte ou uma forma de expressão corporal. A Universidade de Cambridge (localizada no próprio Reino Unido) tem sido crítica à modalidade após um vídeo de um praticando pulando pelos prédios antigos da cidade de Cambridge, o que fez com que a instituição considerasse o parkour uma forma de invasão.

Por outro lado, o parkour tem funcionado como uma válvula de escape da atmosfera de guerra para um grupo de adolescentes sírios. Eles têm praticado o esporte na cidade de Inkhil (Síria), controlada e devastada por rebeldes. Em meio aos edifícios danificados e entulhos, o grupo diz, , que o parkour os faz esquecer da realidade cruel da guerra, das dores e incertezas, pois quando se movimentam se sentem livres.

Referências:

, primeira atleta profissional de parkour da América do Sul

Jean Wainer, educador físico, fundador e ex-presidente da Associação Brasileira de Parkour (ABPK), proprietário da

, médico ortopedista com especialização em cirurgia do joelho, médico da Seleção Brasileira de Futebol Feminino, membro do Grupo de Traumatologia do Esporte da Santa Casa de São Paulo

Leonard Akira, criador do primeiro curso de parkour no Brasil, primeiro instrutor da modalidade no país, fundador da

Poliana Sousa, educadora física, especializada pela instituição Parkour Generations, proprietária e diretora da Escola de Parkour de Brasília

, médico ortopedista pediátrico do Instituto de Medicina do Movimento e mestre pela USP em Ciências da Saúde Aplicadas ao Aparelho Locomotor

FERNANDES, Alessandra Vieira; GALVÃO, Lilian Kelly de Sousa. Parkour e valores morais: ser forte para ser útil. Motrivivência: Revista de Educação Física, Esporte e Lazer, v. 28, n. 47, 2016.

STRAMANDINOLI, Ana Luiza Martins; REMONTE, Jarbas Gomes; MARCHETTI, Paulo Henrique. Parkour: História e Conceitos da Modalidade. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, v. 11, n. 2, 2012.

VIEIRA, M. et al. Primeiros obstáculos no Parkour escolar. Congresso Paulistano de Educação Física escolar. São Paulo: CONPEFE, 2011.