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Vício em redes sociais: descubra sinais que indicam dependência digital

Comportamento compulsivo faz com que pessoas passem tempo demais conectadas e se desliguem da realidade

É difícil resistir a dar aquela olhada no Facebook na metade do expediente. Afinal, todo mundo merece uma folga para ver o que está rolando por lá. Quando se tem algo para compartilhar, melhor ainda, seja uma foto, notícia, música ou até mesmo um textão. Rede social é para isso, não é? Ambientes digitais que possibilitam que as pessoas se conectem e se comuniquem.

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Porém, mais do que locais para trocar informações, as redes sociais permitem ver e ser visto. E existe uma sedução nisso. Já reparou? Quem tem perfil nas redes sociais pode presenciar a sensação de ser admirado e obter respostas quase que instantâneas para suas interações.

Existe algum problema nisso? Não, não há problema em usar as redes sociais, tirar uma selfie, gostar de ver as interações nas próprias postagens e também o que os outros postam. O problema é que sem se dar conta as coisas podem sair um pouco de controle, e o que deveria ocupar um lugar pontual na vida de cada um de repente começa a ganhar mais atenção e afetar a vida social.

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Dessa forma, o que era para ser apenas uma foto passa a ser um meio para se sentir bem consigo. O que deveria ser um like torna-se um termômetro para saber o quanto cada um é admirado. Assim como ver a foto de alguém com quem se tem vínculo - um relacionamento afetivo, por exemplo - pode ser motivo para um desentendimento. Nossa interação com as redes podem causar até mesmo uma simples mudança de humor que, de início, parece algo inofensivo, mas com o tempo essa reação ganha proporção e pode se transformar em um distúrbio emocional.

"As redes sociais dão a chance de cada um escrever e corrigir o que quiser. Não é como uma fala em que é necessário ser cuidadoso com o que diz. É possível valorizar a própria personalidade ou até mesmo criar uma que não necessariamente confere com a vida real e ter um retorno positivo. Essa sensação de retorno traz satisfação", explica a explica a psicóloga Sylvia Van Enck, psicóloga do Grupo de Dependências Tecnológicas do IPq - Instituto de Psiquiatria da USP

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Assim como ser visto nas redes sociais pode gerar satisfação, também há quem não se sinta bem caso a resposta para aquela foto postada ou o texto divulgado não seja positiva.

Mas será que as redes sociais deveriam ocupar um papel tão representativo nas nossas vidas? Será que passamos a nos dedicar mais a elas do que a nossos relacionamentos reais? Um like no Facebook vale mais do que um elogio espontâneo? Uma paisagem é mais interessante sob filtros do que quando apreciada em sua totalidade? A questão é complexa, mas o vício em redes sociais é uma condição de saúde real e precisamos prestar atenção nela.

O que é vício em redes sociais

O vício em redes sociais pode ser caracterizado como uma necessidade de estar checando e interagindo com esse tipo de site e/ou aplicativo a todo momento. Denota uma necessidade constante de estar conectado a redes como Facebook, Instagram, Twitter ou Whatsapp. "Quando, por alguma razão, o acesso não é possível, pode-se sentir uma grande ansiedade e frustração", explica a psicóloga Sylvia.

De acordo com ela, a compulsão por redes sociais é um tipo de vício comportamental em que a pessoa deixa de fazer suas atividades diárias para ficar conectado às redes sociais, o que compromete atividades básicas do cotidiano, como alimentação, trabalho, estudos, vida social e, em alguns casos, até higiene pessoal. A compulsão por redes sociais pode ser considerada um tipo de manifestação causado por conta da dependência digital e, portanto, categorizada como um transtorno mental.

A dependência digital é um transtorno no qual o indivíduo não consegue ficar longe do computador ou dispositivos móveis. Existem diferentes manifestações de dependência digital, como:

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A psicóloga especializada em dependência digital esclarece que por mais que existam profissionais especializados no assunto, esse tipo de condição de saúde, muitas vezes, enfrenta resistência em ser reconhecida. "É muito fácil entendermos o impacto negativo do vício a substâncias químicas, no entanto, uma dependência digital pode causar danos à vida do indivíduo tão sérios quanto?, explica a especialista do Grupo de Dependências Tecnológicas do IPq.

Na verdade, é possível dizer que o vício em redes sociais ou uma dependência em internet pode ser mais forte do que substâncias químicas. É o que aponta, por exemplo, um no qual os cientistas descobriram que a compulsão por redes sociais pode ser mais forte do que cigarros e álcool na vida de uma pessoa

Para a realização do estudo, os cientistas solicitaram aos participantes que respondessem algumas perguntas sobre vícios e desejos. Durante essa etapa do estudo, os desejos mais citados pelos participantes foram sexo e mais tempo para o sono. Em uma segunda etapa os participantes foram orientados a usar seus aparelhos celulares cerca de sete vezes por dia durante algumas semanas.

Ao final do estudo, eles precisaram responder a um novo questionário, no qual o novo desejo dos usuários era o de navegar nas redes sociais. Os pesquisadores perceberam então que foi necessário apenas que eles fossem estimulados a acessarem as redes sociais que logo esse comportamento se transformaria em algo recorrente.

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Um aspecto interessante, segundo os pesquisadores é o fato de que uma droga química resulta em consequências físicas, que são mais facilmente perceptíveis e, portanto, mais fáceis de serem julgadas. Por outro lado, as redes sociais não causam, na maioria das vezes, um efeito tão aparentemente tóxico do que um vício em álcool ou cigarro. Porém, justamente por causa disso que pode ser mais danosa. As redes sociais causam consequências emocionais, muitas vezes, invisíveis.

Causas do vício em redes sociais

As redes sociais possibilitam que as pessoas se conectem entre si com muito mais facilidade. De forma que é possível manter uma interação em tempo real de maneira simples. Além disso, esses sites dão a chance de manter-se informado sobre a vida dos outros mesmo sem encontrá-los pessoalmente. Lá, cada um tem a chance de mostrar ao mundo sua melhor versão.

Não é a toa que isso acontece. E para entender melhor essa ideia é importante olhar para o passado. Nos primórdios da humanidade, os povoados contavam com um número reduzido de pessoas, por volta de 150 indivíduos. Essas pessoas se conheciam, estabeleciam conexões dentro das suas possibilidades e, obviamente, relações de poder. Dentro dessas comunidades havia um número reduzido de machos e fêmeas alfas, que se destacavam diante dos restantes.

Com o advento das redes sociais a quantidade de "pessoas alfas" aumentou. Na verdade, todos nós passamos a ocupar esse lugar alfa ou pelo menos temos a sensação de ocuparmos. Essa possibilidade de mostrar ao mundo somente o lado bom de si ou mostrar um acontecimento negativo somente sob a própria ótica proporciona uma sensação boa ao organismo. E se a sensação é boa, tudo o que queremos é repetí-la.

A psicóloga Sylvia explica que nas redes sociais é permitido, dentro do possível, escrever o que quiser, corrigir o que achar necessário, mostrar a melhor versão de si. Na vida real, somos espontâneos, vulneráveis, imperfeitos e os olhares alheios estão preparados para nos julgar. Se uma pessoa não lida bem com as próprias limitações e vulnerabilidades, é possível que ache mais interessante ou se sinta mais confiante em um ambiente digital.

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Do ponto de vista científico, experiências prazerosas fazem com o cérebro libere dopamina. No caso das redes sociais o raciocínio é semelhante. O indivíduo publica uma foto ou um texto e rapidamente recebe um elogio, um emoji ou uma interação que mostre que ele "acertou" na escolha que fez e é admirado por isso. Logo na sequência tem-se a sensação de prazer. No entanto, assim como um medicamento, uma bebida alcoólica ou um cigarro, em um certo momento a sensação de prazer irá passar, e aí será necessário postar uma nova foto, escrever um novo texto ou ter uma nova interação com o perfil de alguém.

De olho na vida alheia

Mas não é só mostrando a própria vida que se pode desenvolver um comportamento obsessivo com as redes sociais - a possibilidade de observar a vida alheia também é igualmente interessante. "A curiosidade sobre a vida dos outros sempre despertou prazer na humanidade e não é a toa que revistas e programas de TV que expõe intimidades são tão conhecidos e acompanhados", explica a psicóloga Raquel Baldo, especialista Vspy.info.

De acordo com Raquel, não existe problema em olhar os perfis de outras pessoas nas redes sociais. Mas uma coisa é ter uma pequena curiosidade sobre o que os outros estão publicando, outra é passar a perseguir a vida das pessoas, virando o famoso "stalker".

O comportamento stalker pode ser caracterizado pelo ato de vigiar, buscar e perseguir a vida de outra pessoa. "Esse tipo de atitude é muito comum entre casais e ex-casais. As pessoas fazem isso para obter a falsa sensação de saber e controlar a vida do outro", enaltece a especialista.

O hábito de stalkear pode ser progressivo e trazer sérias consequências. Em algumas situações, inclusive, fazer com que a pessoas que stalkeia adote ações abusivas e altamente invasivas.

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Transtornos de base

Ter um comportamento compulsivo por redes sociais, seja divulgando muitas informações sobre a própria vida ou observando os perfis de outras pessoas, pode ter relação com outras questões de ordem emocional. Sendo assim, de acordo com Sylvia, o vício em redes sociais pode ser um sintoma de alguma outra condição de saúde mental. "Muitos clínicos observaram sintomas de ansiedade, depressão, fobia social e transtorno de personalidade narcísica em pessoas que passam muito tempo conectadas", conta Sylvia.

Ilusão da vida perfeita

Só que é importante dizer que as redes sociais nem sempre fazem com que a gente se sinta bem, pelo contrário. Não são raras as situações em que as pessoas acessam as redes sociais, visualizam os perfis de outras pessoas e têm aquela sensação de que a vida dos outros é melhor. Geralmente esse sentimento se manifesta quando as pessoas postam fotos de viagens, falam de seus relacionamentos afetivos ou mostram que frequentam eventos badalados, enquanto quem vê aquilo, está, geralmente, em uma situação menos favorável.

Isso acontece porque é comum as pessoas postarem momentos de felicidade nas redes sociais. "Logo quem vê pode interpretar a situação de forma errônea, acreditando que a vida daquela pessoa é perfeita e não é apenas um momento de felicidade. No entanto, é preciso entender que todas as pessoas têm problemas e que as redes sociais são apenas uma versão editada dos fatos", explica Sylvia.

Uma constatou que quanto mais horas as pessoas passam nas redes sociais mais elas achavam que a vida dos outros era melhor do que a própria. Para a realização do estudo, os pesquisadores conversaram com 425 estudantes e perguntaram a eles como se sentiam diante da vida. Em seguida, perguntaram às pessoas quantos amigos tinham no Facebook e quantas horas por semana se dedicavam às redes sociais. Ao final da análise, os pesquisadores concluíram que o Facebook traz uma falsa percepção da vida e isso pode fazer com que as pessoas sintam que todas as outras pessoas são mais felizes ou fazem coisas mais interessantes.

Além disso, em momentos em que estamos nos sentindo mais inseguros, as redes sociais podem trazer uma falsa sensação de confiança. Basta divulgar uma foto, publicar um texto ou um música para alguém manifestar que gostou. Esse tipo de interação faz com que a gente sinta que acertou, merece um reconhecimento e está recebendo esse reconhecimento a partir da interação do outro. No entanto, caso esse reconhecimento não venha, pode ocasionar o efeito contrário, fazendo com que o indivíduo sinta um sentimento de tristeza.

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Somente um especialista é capaz de fazer um diagnóstico para saber se há um transtorno de base e uma possível compulsão por redes sociais.

Sintomas do vício em redes sociais

Ter um comportamento compulsivo em redes sociais não diz respeito apenas a passar muito tempo conectado. "Existem, inclusive, pessoas que trabalham com redes sociais ou precisam estar conectadas o dia inteiro e não necessariamente desenvolvem um comportamento compulsivo", explica Sylvia. A experiência com as redes sociais se torna um problema quando ela afeta o emocional e a vida do indivíduo

A seguir você encontra alguns sintomas do vício em redes sociais:

Necessidade de estar conectado independentemente do que esteja fazendo;Mudança de humor quando acessa as redes sociais, seja euforia por ver algo que agrada ou tristeza profunda;Colocar-se em situações constrangedoras ou arriscadas para acessar as redes sociais. Ex: bater o carro por estar olhando o celular ou entrar nas redes sociais quando está em reuniões de trabalho;Ter um comportamento agressivo ou ficar desesperado (a) por não conseguir acessar as redes sociais;Atualizar o perfil várias vezes ao dia;Deixar de dormir, trabalhar ou ter momentos de descontração para estar conectado às redes sociais;Ter mais amigos virtuais do que pessoas no mundo real;Ter necessidade de registrar nas redes sociais diferentes momentos do próprio dia;Usar as redes sociais para esquecer problemas pessoais;Tentar reduzir todos esses comportamento e não conseguir.

Como diagnosticar o vício em redes sociais

Quando uma pessoa procura uma orientação psicológica, ela passa por uma triagem inicial que é feita por psicólogos. Esses profissionais vão identificar por meio de questionários se essa pessoa apresenta critérios básicos para uma dependência de internet. Em seguida pode ser que esse indivíduo passe por uma avaliação neuropsicológica com um psiquiatra, onde será possível chegar a um diagnóstico mais apurado.

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Como é o tratamento para o vício em redes sociais

Quando uma pessoa procura uma orientação psicológica, ela passa por uma triagem inicial que é feita por psicólogos. Esses profissionais vão identificar por meio de questionários se essa pessoa apresenta critérios básicos para uma dependência de internet. Em seguida pode ser que esse indivíduo passe por uma avaliação neuropsicológica com um psiquiatra, onde será possível chegar a um diagnóstico mais apurado.

Como é o tratamento para o vício em redes sociais

Quando uma pessoa tem um vício em uma substância é comum afastar a pessoa daquele ativo para que o corpo perca a dependência. Mas e em relação às redes sociais? Uma pessoa que tem uma dependência das redes sociais precisa excluir o perfil e não acessar mais esses sites? Não necessariamente.

A tecnologia é uma ferramenta que está inserida na rotina das pessoas de forma geral. Sendo assim, mesmo que a pessoa não use o celular, ainda assim ela teria contato com outras pessoas que estão, por exemplo, nas redes sociais.

Assim como a compulsão por redes sociais pode estar atrelada a outros fatores, o tratamento também será direcionado para tratar as outras questões relacionadas à saúde emocional do indivíduo. Logo, pode ser que o tratamento não seja exclusivo para tratar o vício em redes sociais, mas identificar e fazer com que o indivíduo tenha ferramentas emocionais para lidar com as causas que fazem com que ele não consiga se desconectar.

O que eu posso fazer se desconfiar que tenho vício em redes sociais?

Se você sentir que pode estar passando tempo demais nas redes sociais e não está se sentindo bem com isso, pode colocar algumas coisas em prática:

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Também é possível recorrer a ajuda profissional para receber orientação de como lidar com essa condição.

Como ajudar uma pessoa que tem vício em redes sociais

O ideal é não entrar no confronto. Sylvia acredita que esse tipo de comportamento pode gerar uma resposta negativa. O ideal é incentivá-la a realizar outras atividades que estimulem o convívio social. Pergunte a ela como ela se sente em relação ao mundo e tente estabelecer uma conexão emocional. Lembre-se que esse indivíduo não escolheu desenvolver um comportamento compulsivo em redes sociais e necessita de acolhimento.

Como usar as redes sociais de forma saudável

Dependendo de como usamos, as redes sociais nos convidam a rir ou chorar. Portanto, para usufruir delas de forma saudável o ideal é o caminho do meio. É preciso saber a hora de desligar os dispositivos e acordar para a realidade.

Uma forma de fazer isso é tentar mudar o comportamento. Ao invés de checar o celular em um momento de ociosidade, tente conversar com alguém que esteja próximo, dê uma volta ou procure outras atividades, como ler notícias, aprender um hobby ou ler um livro.

Por fim, procure lembrar que as redes sociais correspondem apenas a uma pequena parcela do que é cada um de nós. Seres humanos são complexos, portanto, se puder, evite tirar conclusões sobre você mesmo ou outras pessoas baseadas unicamente nas redes sociais